30 Junho 2022, 18:27

“Sinto muita falta dos dias de sol” – Telma Ferreira

Susana Faria Administrator

Telma Ferreira e o namorado, agora marido, deixaram Portugal, em 2011, para juntos se aventurarem na Suíça, onde acabaram por encontrar a qualidade de vida que sempre ambicionaram. A fisioterapeuta não esconde que falar francês foi um dos grandes entraves, mas o poder de “desenrasque” e o facto de rapidamente ter começado a trabalhar num centro de fisioterapia, onde recebe portugueses diariamente, “torna tudo mais confortável e fácil”. A pandemia alterou, por completo, as rotinas e obrigou a que as viagens a Portugal, que serviam para “matar saudades” da família e amigos, diminuíssem ao contrário das saudades dos “dias de sol” tão típicos do nosso País, de que sente falta. No entanto, ainda não está nos planos “trocar o certo pelo incerto” e pensar no regresso ao Marco de Canaveses.

Porque decidiu emigrar?
O meu marido, que na altura era ainda namorado, decidiu emigrar, em 2011, e optei por acompanhá-lo nessa aventura.

Como tem sido a experiência na Suíça?
A experiência tem sido muito positiva. Tive a sorte de começar a trabalhar na minha área mal cheguei a Genebra e não podia ter ficado mais feliz. Trabalho há quase 11 anos num gabinete de fisioterapia, onde recebo muitos pacientes portugueses que já me conhecem. Assim, torna tudo mais confortável para ambas as partes. Poderem falar em português e verem uma cara amiga facilita tudo. Acompanho alguns pacientes desde que comecei a trabalhar neste centro e são quase família. Genebra é uma cidade grande e internacional, todas as Nações estão representadas, mas ao mesmo tempo torna-se pequena e acolhedora. Depois de nos habituarmos, é fácil viver aqui, além de que a comunidade portuguesa é muito grande e, a qualquer momento, cruzamo-nos com alguém a falar português na rua.

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Como se vive aí esta pandemia?
A pandemia foi e é vivida com muita angústia, principalmente, quando tudo começou. Estamos longe, e nos primeiros tempos, era muito difícil viajar, estava sempre preocupada com a minha família que vive em Portugal. Não sabíamos quando poderíamos voltar e se ia correr tudo bem. No trabalho tivemos de nos adaptar às novas regras, sempre com os cuidados necessários para podermos continuar a prestar um serviço de qualidade e, até agora, tem corrido bem.

Quais são os principais desafios pessoais e profissionais?
A língua para quem chega a um País estrangeiro é sempre uma barreira. Como comecei logo a trabalhar, considero que aprendi rápido a falar francês. A forma de trabalhar como fisioterapeuta é completamente diferente do que acontece em Portugal, embora as técnicas sejam as mesmas, a abordagem ao paciente é diferente. Aqui somos mais autónomos na decisão dos tratamentos. Já consegui fazer várias formações, inclusive em fisioterapia na saúde da mulher, que pretendo ainda aprofundar.
A nível pessoal, tento fazer a minha vida como se estivesse em Portugal. Sou casada e tenho dois filhos, um deles bebé com dois meses. Temos a nossa vida organizada e pensada independentemente do País onde vivemos.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Essa é parte mais difícil. Em Genebra há uma grande comunidade portuguesa, temos família aqui e foi fácil fazer amigos portugueses também…, mas nada substitui os que deixei em Portugal e que estão sempre no meu pensamento. Mantenho o contacto regular com os amigos e, com a minha família, falo quase todos os dias. É quase como se lá estivéssemos, com a diferença de que os encontros são mais espaçados.

Do que sente mais falta?
Sinto muita falta dos dias de sol, da calma da minha terra e, claro, dos meus pais.

Vem com frequência a Portugal (ou vinha antes da pandemia)?
Tentava ir sempre quatro ou cinco vezes por ano. Às vezes apenas um fim de semana, para matar rápido as saudades que apertavam. Depois com a pandemia e a entrada do meu filho na escola, as rotinas mudaram e tivemos de nos adaptar. Mas, sempre que podemos, voltamos a Portugal.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
Eu gostava, mas não para já. Por enquanto, a minha vida é aqui. Neste momento, trocar o certo pelo incerto não faz sentido. Um dia o futuro o dirá.

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