30 Julho 2021, 17:02

“Sinto que agora é o momento de regressar” – Luís Lima

Luís Lima deixou a aldeia de Valongo do Vouga, em Águeda, em 2016, para rumar à China, onde é treinador de futebol, um país onde, garante, as pessoas são acolhedoras e o sentimento de segurança é constante. Por isso, vive “uma experiência muito positiva e enriquecedora”, mas que, no início, foi também um “choque” ou n o estivéssemos a falar de uma “megacidade de 21 milhões” de habitantes. As saudades da família e dos amigos s o o maior desafio pessoal deste português pelo mundo que, aos 30 anos, admite, que se aproxima, a passos largos, a hora de regressar a Portugal.

Porque decidiu emigrar?
No verão de 2016, senti que necessitava de um novo desafio a nível profissional. Em Portugal, não surgiu, na altura, um projeto que me motivasse e que correspondesse às minhas expectativas. Em setembro desse ano, através de um amigo português que partilhou esta “aventura” comigo numa fase inicial, apareceu a oportunidade de rumar à China.

Por que países já passou?
Em contexto de trabalho, além de Portugal, trabalhei em várias cidades Chinesas (Beijing, Chengdu, Nanchong). A partir do momento em que vim trabalhar para a China visitei também alguns países do sudeste asiático em contexto de lazer: Tailândia, Malásia, Indonésia.

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Como tem sido a experiência na China?
Uma experiência muito positiva e enriquecedora. Inicialmente, um choque muito grande a todos os níveis. A transição de viver numa vila de 5000 habitantes (Valongo-do-Vouga, freguesia do concelho de Águeda) para
uma megacidade de 21 milhões (Beijing), ajuda a perceber a magnitude da mudança. O passar do tempo e uma mentalidade de “aceitação” ajudaram a uma rápida adaptação. Com a mentalidade certa é fácil de se gostar da China, afinal é um país onde as pessoas são acolhedoras, existe uma sensação constante de segurança e os preços são acessíveis, em
compara  o com a maioria dos países Europeus.

Como se vive aí esta pandemia?
No meu regresso, após o início da pandemia, setembro de 2020, foi-me exigido um período obrigatório de quarentena de 14 dias num hotel designado pelas autoridades locais de saúde. Após terminado esse período, e ter dado negativo em todos os testes, foi-me emitida uma declaração e posterior validação de um «QR Code». A partir desse momento, praticamente não sinto os efeitos da pandemia e faço uma vida completamente normal. Utilizo máscara apenas para entrar nos transportes públicos e em centros comerciais.

Quais são os principais desafios pessoais e profissionais?
O principal desafio pessoal é estar longe da família e dos
amigos. A nível profissional, fui sentindo diferentes desafios pelos projetos em que já trabalhei (academia de futebol chinesa, escola primária, academia de futebol internacional). A falta de organização das estruturas e ausência de planeamento das mais variadas atividades são os dois grandes desafios que me vou deparando no dia-a-dia.

Uma experiência muito positiva e enriquecedora. Inicialmente, um choque muito grande a todos os níveis.

Como gere o facto de estar longe da família e dos amigos?
Sem dúvida o maior desafio de todos. Há dias que se lida melhor, outros menos bem, mas com o passar do tempo e a ajuda das novas tecnologias, vai-se ultrapassando essa dificuldade. O facto da minha esposa me ter acompanhado nesta aventura, grande parte do tempo, ajudou a minimizar as saudades do lar.

Do que sente mais falta?
Família e amigos, a gastronomia, o clima, o nosso futebol.

Vem com frequência a Portugal (ou vinha antes da pandemia)?
Normalmente uma vez por ano, no verão. Infelizmente a época natalícia não é celebrada na China, portanto não há férias nessa altura.

Está nos seus planos regressar definitivamente a Portugal?
Sim, brevemente. As saudades já «apertam», a vida é feita de momentos… Sinto que agora é o momento de regressar.

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