13 Maio 2022, 19:01

Síria: ONU e ONG recordam que os sírios continuam a ter “necessidades enormes”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Beirute, 06 mai 2022 (Lusa) – Agências das Nações Unidas (ONU) e organizações não-governamentais (ONG) alertaram hoje para as “enormes” necessidades dos sírios, após quase 11 anos de conflito armado, intensificadas pelos efeitos da guerra na Ucrânia.


Nas vésperas de uma conferência de doadores organizada pela União Europeia (UE), que vai decorrer a 9 e 10 de maio em Bruxelas, as organizações chamaram também a atenção para os recursos “escassos” disponíveis para os trabalhadores da saúde naquele país árabe.


Numa mesa-redonda virtual, à margem da VI Conferência de Bruxelas, o diretor regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ahmed al Mandhari, lembrou que “as necessidades do povo sírio são enormes” após quase 11 anos de conflito armado.


Dados da OMS indicam que 6,9 milhões de pessoas continuam deslocadas no país, mais de 90% da população vive abaixo do limiar da pobreza e quatro quintos sofrem de insegurança alimentar, enquanto as “hostilidades” continuam em todo o território sírio.


Al Mandhari referiu que a atenção dos meios de comunicação social está hoje centrada noutras crises no mundo, incluindo a ucraniana, e pediu para não seja esquecida a grave crise socioeconómica que se vive na Síria e os recursos “escassos” disponíveis para garantir a saúde da população.


Durante a sua intervenção, Mazen Kewara, diretor da ONG Syrian-American Society of Doctors (SAMS), apresentou indicadores de saúde que qualificou de “muito maus” da Síria.


O país tem cerca de 3,5 milhões de pessoas com deficiência, mais de 500.000 crianças sofrem de desnutrição crónica e há sinais de trauma infantil em 27% das famílias, revelou.


O aumento dos preços do trigo devido à guerra na Ucrânia também tem impacto na alimentação e saúde dos cidadãos, enquanto o custo do combustível e poucos meios de transporte dificultam o acesso aos hospitais, concluiu.


Por seu lado, a diretora regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Khalida Bouzar, destacou como a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, aumentou a precariedade no país, fazendo com que os rendimentos das pequenas e médias empresas caíssem e limitassem ainda mais o poder de compra.



ANP // JH


Lusa/fim

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