26 Setembro 2022, 00:46

“Sobrevivi e hoje não aceito menos do que mereço” – Violência no Namoro

Inês Duarte Administrator

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O Dia Mundial da Juventude comemora-se hoje, 12 de agosto. Instituído em 1999 no âmbito do encerramento da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude e adotado na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), teve como objetivo contribuir para educar e consciencializar “os jovens sobre a sua responsabilidade como representantes do futuro do planeta”, refere o Centro de Informação Europeia Jacques Delors (Eurocid). Para assinalar a data, ouvimos o testemunho de jovens que ultrapassaram o drama da Violência no Namoro, um flagelo que pode colocar em causa esse futuro.

“Aquele velho ditado de que ‘entre marido e mulher não se mete a colher’ tem de ser, de uma vez por todas, banido da nossa vida em sociedade”, defendeu o Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa.
As estimativas lançadas no final do ano anterior apontavam para mais de cinco mil jovens, até aos 25 anos, atendidos na linha de apoio a vítimas de violência no namoro. A PSP registou mais de 2.200 denúncias em 2021.
“A violência no namoro pode assumir diferentes formas: verbal, psicológica, física e/ou sexual”, pode ler-se no site oficial da APAV.
No artigo n.º 152 do Código Penal este delito é reconhecido como crime público. Deste modo, qualquer pessoa o pode denunciar.

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“O namoro pode proporcionar um conjunto de momentos fundadores de uma relação para toda a vida e pela qual se dá a vida”, lê-se na página da Comissão Episcopal do Laicado e Família.
“Os jovens idealizam cada vez mais um relacionamento prematuro! Muitos olham para a violência no namoro e não percebem a complexidade do assunto”, afirmaram, ao Mundo Atual, Teresa e Alice, hoje com 20 e 22 anos, respetivamente. As jovens, com nomes fictícios, mas com histórias reais, foram vítimas deste género de violência, entre os 15 e os 19 anos.

Serviço de Informação a Vítimas de Violência

Telefone:

800 202 148

Linha SMS:

3060

Email:
[email protected]
Horário:
Todos os dias, 24h por dia

APAV

Telefone:

116 006

Horário:
Dias úteis das 9h às 21h

“Aceitei porque era preciso para ele ficar comigo”

Num largo escondido, destaca-se um amor violento que muito dá nas vistas para quem observa a paisagem inocente que envolve os jovens. “Pensei várias vezes: e se for a pessoa para mim?”, revelou Teresa, uma jovem que, em 2015, percebeu ser vítima de violência no namoro. “É um assunto extremamente atual e cada vez mais evidente”, declarou a mesma.

Gritos, insultos, ameaças, humilhações, empurrões, «stalking», manipulação são perdoados “com a esperança de tudo melhorar e vir a dar certo”, afirmou. E acrescenta: “Aceitei porque queria que ele fosse feliz! Aceitei porque era preciso para ele ficar comigo”.

Ao longo de dois anos e meio chegou a casa com os pulsos negros, só vestia o que ele gostava, deixou de estar com amigos, foi dita na rua como louca, chorou todos os dias. Quando se tentava afastar, deparava-se com a realidade que insistia algemá-la: “Mas não tens mais ninguém, porque é que te vais afastar de mim?”.
“Não é algo que queira ver a minha irmã mais nova passar. Não foi uma relação extremamente abusiva fisicamente, mas foi uma relação que abusou muito de mim psicologicamente”, compartilhou a jovem.

Cada vez menos são aqueles que reconhecem o valor de uma relação saudável que deveria simbolizar a sociedade.

“Começou com crises de ciúmes, acabou a ameaçar matar-se com facas e comprimidos. Sempre que tínhamos um desentendimento tornava-se agressivo, partia tudo o que pudesse à sua volta. Proibiu-me de falar com os meus amigos e começou a controlar as minhas redes sociais. Nas aulas tinha que lhe mandar uma foto a cada 5 minutos para provar que não o estava a trair. Quando queria ver os meus pais ameaçava matar-se e, no fim, culpava-me pelos seus comportamentos violentos. Graças a ele comecei a ficar depressiva e fui muitas vezes ao hospital com crises de ansiedade, tinha 16 anos”, partilhou Alice, também ela vitima deste género de violência, acrescentando “era jovem, mas sobrevivi e hoje, depois de algum tempo, consigo estar numa relação onde não aceito menos do que mereço”.

Apesar de acabado, o trauma continua a deter uma grande importância na vida destas duas raparigas. “Finalmente consegui abrir-me e percebi que não estava sozinha. As pessoas compreendiam, os amigos que afastei voltaram, os meus pais foram o meu muro e consegui reerguer-me outra vez”, partilharam, deixando o apelo a todos os jovens que passam por situações semelhantes: “Não tomem por normais comportamentos abusivos. Queiram o melhor para vocês! Tenham força para deixar tudo para trás! Não estão sozinhos!”.

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