10 Setembro 2022, 03:36

“Sub-20 têm qualidade técnica para formar espinha dorsal da Seleção A” – Carlos Martingo

© Carla Pires
Filipa Júlio Administrator

Entrevista a:

Carlos Martingo
Selecionador Nacional de Andebol

A Seleção Nacional de Andebol de Sub-20 nunca esteve tão perto de se sagrar campeã europeia. Perante pavilhões cheios (Gaia, Gondomar e Matosinhos), e outros incontáveis milhares a assistir pela televisão, Portugal não só se bateu de igual para igual, como venceu algumas das potências mundiais da modalidade. Para a Federação de Andebol de Portugal, segundo garantiu o presidente Miguel Laranjeiro ao Mundo Atual, foi uma aposta ganha tanto ao nível desportivo, como organizativo. Para o selecionador nacional, uma motivação para apontar o olhar já aos lugares cimeiros do Mundial de 2023.

Carlos Martingo nunca escondeu a ambição com que a armada lusa partia para este Europeu. Não por uma questão de crença, mas baseado em factualidades. Em Gaia, no Centro de Alto Rendimento onde a Seleção Nacional estagiou, o técnico avisou, em declarações ao Mundo Atual, que Portugal partia com a garra, ambição e qualidade para não temer nenhuma equipa.

Na ressaca da derrota, e já a caminho de um merecido descanso, o selecionador nacional, que é também treinador-adjunto do FC Porto, reforça os adjetivos utilizados para definir os seus pupilos. Uma equipa “competitiva, boa”, que olha já, com confiança e entusiasmo, para o Mundial de 2023.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



É unânime. Não há nada a apontar aos jogadores, que lutaram «taco a taco», com as equipas de topo mundial. O que faltou?
Faltou ter o controle do jogo nos momentos importantes. A Espanha não foi melhor no cômputo geral, mas superiorizou-se nesses momentos importantes e decisivos.

Deixa sempre um sabor amargo?
Sim, mas, ao mesmo tempo, também um sentimento de satisfação pelo trabalho desenvolvido. Sabemos que quando duas excelentes equipas se defrontam, umas vezes ganha uma, outras vezes ganha outra. Ganhámos o primeiro jogo, na Fase de Grupos, e perdemos a final… Mostrámos a toda a gente que somos competitivos e bons perante qualquer equipa do Mundo.

Houve também muito carinho e apoio por parte do público. O que pensa ter contribuído para esta adesão?
Foi, de facto, extraordinário todo o carinho sentido ao longo de toda a competição. Penso que o trabalho feito pela comunicação da Federação de Andebol de Portugal ajudou. Sem dúvida que tudo isto que aconteceu foi o maior reconhecimento da qualidade desta equipa e do valor destes jogadores.

Foi, de facto, extraordinário todo o carinho sentido ao longo de toda a competição. Penso que o trabalho feito pela comunicação da Federação de Andebol de Portugal ajudou. Sem dúvida que tudo isto que aconteceu foi o maior reconhecimento da qualidade desta equipa e do valor destes jogadores.

Fala-se de uma geração de ouro. O que se pode esperar destes jogadores?
Não tenho dúvidas que uma boa parte destes jogadores irá integrar a curto/médio prazo a Seleção sénior. Diria mesmo que serão, quase certamente, a espinha dorsal da equipa sénior. Sabemos de antemão que, neste momento, não é fácil entrar no restrito lote de jogadores que representam a Seleção A, mas acredito que muitos destes atletas reúnem todos os requisitos, em termos de qualidade técnica, competência e motivação.

A realização deste Europeu em Portugal pode ser também um fator extra para cativar mais atenção, adeptos e praticantes para a modalidade?
As bancadas estavam repletas de jovens. Esperamos que os nossos jogadores os possam ter inspirado e motivado a jogar andebol. Devemos reforçar um agradecimento à Direção da Federação de Andebol de Portugal por ter tido a coragem de organizar um evento desta natureza no nosso País. Espero, muito sinceramente, que seja possível voltar a organizar uma competição de nível idêntico. Considero que foi uma aposta ganha e a prova disso está nos pavilhões cheios. É sinal de que há muito público com vontade de assistir a bons jogos de andebol.

Há um trabalho articulado com o selecionador Paulo Jorge Pereira?
Paulo Jorge Pereira tem uma ligação com todas as seleções, e esteve presente em alguns jogos do europeu. É sempre importante para os jogadores sentirem a presença do selecionador da equipa principal. O modelo de jogo é muito parecido, mas, e apesar de haver um coordenador geral das seleções [Nuno Santos], cada selecionador tem liberdade para colocar a sua chancela na equipa que gere.

Por falar na qualidade dos atletas, já referiu que Portugal tem bons, ou excelentes jogadores, mas poucos em termos de quantidade. O que é preciso para aumentar o nível dos praticantes?
Primeiro temos de aumentar a base da pirâmide em termos de número praticantes e consolidar uma cultura competitiva. A partir daí, acredito que os atletas mais novos, ao verem que é possível obter bons resultados no andebol, a nível internacional, quer ao nível de clubes, quer das seleções nacionais, possam ficar mais motivados e com entusiamo para assumir maiores compromissos com a modalidade. Creio que o nível de treino em Portugal é bom, pois há bons técnicos, mas é preciso aumentar o número de horas de treino por ano e o leque de recrutamento nas seleções porque quanto mais jogadores bons tivermos, mais irá atrair praticantes para a prática da modalidade.

Quais são as suas maiores ambições para a próxima época?
Falando exclusivamente na Seleção Nacional de sub20, o próximo objetivo é o Mundial de 2023, que se irá realizar na Alemanha e na Grécia.

Como será o trabalho da Seleção até lá e que perspetivas, em termos de resultados desportivos?
Estamos a colocar a possibilidade de dar a oportunidade a novos jogadores de integrarem a lista de convocados que vai participar no Campeonato do Mundo, no sentido de lhes dar oportunidade de competirem a um nível mais alto. De qualquer forma, vamos, com toda a certeza, apresentar uma equipa muito competitiva e que estará, mais uma vez, na luta pelos lugares cimeiros.

NÚMEROS

72

Número de golos marcados por Portugal e Espanha na final supera em nove o recorde que fora estabelecido em 2000, por Jugoslávia e Bielorrússia.

486

Número de golos marcados pelos finalistas, que constituíram os melhores ataques da competição.

58

Número de golos marcados por Francisco Costa, melhor marcador da prova, que ocupa agora a terceira posição entre os jogadores que receberam esse prémio nas últimas 10 edições da competição.

Sem comentários

deixar um comentário