27 Janeiro 2022, 23:40

‘Tais’ pode ser primeiro Património Cultural Imaterial da Humanidade timorense

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 03 dez 2021 (Lusa) – O Comité Intergovernamental para a Proteção do Património Cultural Imaterial, da UNESCO, analisa a 14 de dezembro a nomeação do têxtil tradicional timorense, o tais, como o primeiro produto cultural de Timor-Leste a ser reconhecido pela organização.


Francisco Barreto, secretário-executivo interino da Comissão Nacional de Timor-Leste da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês), explicou que o tais é uma das nomeações que vai ser analisa nas reuniões marcadas para os dias 13 a 18 de dezembro.


“A informação que recebemos da sede da UNESCO em Paris, o Comité vai examinar todas as nomeações e propostas de todos os países, incluindo o tais de Timor-Leste que foi enviada no ano passado”, explicou Barreto em declarações à Lusa.


“A nomeação vai ser analisada no próximo dia 14. Depois o comité fará as suas recomendações à Assembleia-Geral que decidirá e anunciará ou não o reconhecimento do tais como Património Cultural Imaterial”, sublinhou.


A nomeação do tais faz parte de uma longa lista de propostas que os membros do comité vão analisar, segundo os documentos da reunião, disponibilizados pela UNESCO.


A proposta timorense destaca o papel do tais como património cultural imaterial pelo seu impacto nas tradições orais e expressões, pelas práticas social, rituais e festivas em que os panos são utilizados.


Práticas artesanais e “conhecimento e práticas relacionadas com a natureza e o universo” são outros dos argumentos usados por Timor-Leste para justificar a nomeação.


Os documentos de nomeação, preparados por Timor-Leste, notam que “o tais, o têxtil tradicional de Timor-Leste, é um património cultural que tem sido passado dos ancestrais, de geração em geração”.


Assume “um papel importante na vida do povo timorense, desde o seu nascimento até à morte”, com as peças a serem usadas para receber convidados, para mostrar a identidade cultural e classe social, variando em estilo e cores de região para região do país.


“Também é usado como objeto de valor, por exemplo, no ‘barlake’ (dote) que é dado da família da noiva à família do noivo. É usado não só como um elemento para estreitar a relação entre famílias, mas também para pagar ‘multas’ quando as pessoas não seguiram as regras dentro da comunidade”, referem os documentos a que a Lusa teve acesso.


Com uso tanto masculino como feminino, e em vários formatos, os tais têm “uma variedade de cores e motivos, variando por grupos étnicos”, com cada vez mais produção nacional e o crescente uso de partes de tais noutros produtos nacionais.


O tais é tradicionalmente feito de algodão, com plantas naturais a ser usadas para tingir a cor, sendo normalmente tecido por mulheres, de forma manual, usando equipamentos simples como a ‘atis’, o ‘kida’, e outros.


A proposta timorense, que começou a ser preparada em 2019, foi enviada para a UNESCO em março de 2020 e, caso o reconhecimento seja dado, está previsto um amplo programa de promoção e divulgação, financiado em parte pela organização sedeada em Paris.


O orçamento proposto, que acompanha a nomeação do tais, prevê um investimento de cerca de 452 mil dólares, durante três anos, para financiar essa promoção, do qual cerca de 60% provenientes da própria UNESCO.


Timor-Leste ratificou em 2015 três convenções culturais da UNESCO, entre as quais a de Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural, de 1972.


 


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Lusa/FIm


 

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