17 Setembro 2021, 08:43

Talibãs querem regime islâmico “autêntico” no Afeganistão através de negociações

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Cabul, 20 jun 2021 (Lusa) — Os talibãs, cujos combatentes têm multiplicado as ofensivas no terreno à medida que se aproxima o prazo para a retirada dos militares norte-americanos do Afeganistão, pediram hoje “garantias” para a instauração de um “autêntico regime islâmico” através da negociação.


Num comunicado, o mullah Abdul Ghani Baradar, um dos membros da delegação talibã que participa nas negociações inter-afegãs em Doha, reafirmou que um “autêntico regime islâmico” é a “melhor solução e a exigência de todos os afegãos”. 


“A nossa participação nas negociações mostra que acreditamos na solução dos problemas por meio do entendimento mútuo. Apelamos à comunidade internacional para deixar os afegãos decidirem o seu destino e o do país”, referiu o mullah.


As negociações sobre uma possível divisão do poder, que começaram em setembro passado, em Doha, entre os talibãs e o governo afegão, estão atualmente paralisadas. 


Vice-Chefe para os Assuntos Políticos do movimento, o mullah garantiu que os talibãs “preservarão os direitos de todos os cidadãos, homens e mulheres, à luz dos preceitos do Islão e das tradições da sociedade afegã”.


Baradar exortou os jovens afegãos a permanecerem no país em vez de procurarem exílio.


“Fiquem e sirvam o país e o povo: o Emirado Islâmico dar-lhe-á a oportunidade. Fiquem (…) em vez de irem para o estrangeiro com as vossas famílias e os vossos filhos por um pedaço de pão”, insistiu.


Em 2020, uma série de “assassínios cirúrgicos” atribuídos aos Talibãs matou dezenas de jovens afegãos com instrução, entre jornalistas, magistrados, académicos e ativistas de direitos humanos, gerando a procura de exílio fora do país.


Embora a minoria xiita Hazara esteja a ser um alvo específico dos ataques dos talibãs nos bairros ocidentais de Cabul, Baradar disse que irá garantir os direitos das minorias e de todos os cidadãos.


O mullah Baradar garantiu também um “ambiente seguro” para os “diplomatas e funcionários de organizações humanitárias” presentes no país. 


Após 20 anos de presença norte-americana, apoiada pelas forças da Organização do tratado do Atlântico Norte (NATO), o Presidente norte-americano Joe Biden fixou a data simbólica de 11 de setembro deste ano para a retirada completa das tropas, operação já praticamente concluída. 


 


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