16 Agosto 2022, 16:48

TAP: Sitava acusa gestão de se reunir só para “acordos” e “tirar dinheiro aos trabalhadores”

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Redação, 16 fev 2022 (Lusa) — O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) acusou hoje a administração da TAP de ignorar as estruturas sindicais e de só se reunir com estas para “fazer acordos e tirar dinheiro aos trabalhadores”.


Em declarações à Lusa, Paulo Duarte, dirigente do sindicato, disse que “desde que esta administração veio parece que não há sindicatos na TAP”, dando o exemplo de uma reunião pedida à gestão da transportadora já no ano passado e à qual nunca receberam resposta.


“Digamos que nos sentimos usados, porque só nos chamam para fazer acordos e para tirar dinheiro aos trabalhadores”, criticou.


Num comunicado enviado à Lusa, o Sitava deixou várias críticas à gestão liderada por Christine Ourmières-Widener: “Desde a chegada do atual Conselho de Administração, já lá vão sete meses, parece que na TAP só existem administradores. Movem-se ao ritmo das novas admissões, frequentemente de estrangeiros principescamente pagos, e das dezenas de nomeações também elas com assinaláveis incrementos salariais”.


“Não fora a insuportável insolência com que se relacionam com os trabalhadores, diríamos que este CA [Conselho de Administração] e esta Comissão Executiva se movimentam como nenúfares num lago. Deslizam suavemente à superfície ignorando tudo o que está à sua volta”, ironizou o sindicato.


“Há uma serie de alterações que estão a acontecer”, alertou Paulo Duarte, salientando, a título de exemplo, que “houve uma deslocalização do posto dos serviços médicos da empresa para fora do reduto TAP” e que “há uma série de situações que não estão bem explicadas”.


No comunicado, o Sitava avisa que “é bom que quem administra não esqueça os brutais sacrifícios e os violentíssimos e injustos cortes salariais a que os trabalhadores da TAP foram e estão a ser obrigados” e alertou que “em cima dos cortes veio agora a inflação que torna a vida dos trabalhadores num inferno ainda maior”.


“Importa ainda que quem administra respeite a dignidade dos trabalhadores e dos seus representantes, e que honre a história e a tradição da empresa no que respeita ao relacionamento entre administração e sindicatos, sobretudo quando estes se lhe dirigem com a intenção de demonstrar cordialidade em atos tão simples como a apresentação de novos dirigentes após um ato eleitoral”, disse, referindo-se à reunião pedida.


Ainda de acordo com a mesma nota, o Sitava avisou que “é também importante que quem administra saiba que os trabalhadores nem sempre estão na mó de baixo, e que tenha também consciência que numa organização os incrementos salariais não podem ser só para os diretores”.


“É bom que percebam que um corte num grande salário apenas retira parte do excedente, enquanto esse mesmo corte num pequeno salário lhe retira uma parte do necessário para manter a dignidade”, referiu a estrutura.


“Desejamos profundamente que esta atitude mude, e muito rapidamente”, referiu o Sitava, avisando que, “como se sabe, em Portugal os verões são tradicionalmente quentes e os trabalhadores não desdenharão contribuir para reforçar esse aquecimento”.



ALYN // CSJ


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