19 Setembro 2021, 15:07

Técnicos especializados de educação manifestam-se no Porto pelo fim da precariedade

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Cerca de quatro dezenas de técnicos especializados de educação manifestaram-se hoje no porto, em frente às instalações da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEST), para reivindicar o fim da precariedade e a mobilidade geográfica.

Estes técnicos englobam profissionais de diversas áreas, nomeadamente psicólogos, assistentes sociais, animadores, terapeutas, fisioterapeutas, intérpretes de língua gestual portuguesa e mediadores.

Cláudia Braga, organizadora desta ação de protesto, explicou à Lusa que as reivindicações passam pelo fim da precariedade, nomeadamente a resolução do programa PREVPAP, que “estava previsto terminar em dezembro de 2018 e em julho de 2021 ainda há colegas a aguardar a promulgação”.

“Temos conhecimento de que existem cerca de 80 casos no Ministério das Finanças a aguardar homologação”, acrescentou Cláudia Braga.

A responsável pela manifestação alertou também para a existência de técnicos que não tiveram oportunidade de aderir ao PREVPAP porque algumas direções “lhes deram indicação de que não deviam concorrer” e o programa “previa que a própria entidade paternal fizesse a comunicação dos seus precários”.

Ana Marques e Áurea Canas, ambas psicólogas, contaram à Lusa que, na altura de concorrer ao PREVPAP não puderam candidatar-se porque foi dada “informação errada” às direções e garantem que desde 2016 têm tentado que a sua situação “seja revista”, sem sucesso.

“Temos as nossas vidas a prazo. A 1 de setembro começa o ano letivo e sem as notas informativas ou alguma informação que nos indique que podemos permanecer mais um ano precários. A nossa luta passa muito pela efetivação”, explica Áurea Canas.

Durante o protesto, Artur Sequeira, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFP), anunciou já no final que vai ser enviada uma nota ao Ministério da Educação, que inclui uma exigência pensada na manifestação: o fim do PREVPAP.

A mobilidade é outro aspeto que preocupa estes profissionais, como afirmou Cláudia Braga no seu discurso perante os colegas.

“Temos pessoas que estão a quilómetros de casa, não podem ser pais, mães, filhas, não podem dar assistência aos seus familiares”, vincou.

Perante este cenário, sugeriu ainda a criação de bolsas de mobilidade para que os técnicos possam estar perto das suas residências.

“Nós estamos disponíveis para colaborar”, garantiu Cláudia Braga.

Em declarações à Lusa, Ana Almeida do Sindicato Nacional dos Psicólogos defendeu a importância de garantir o “posicionamento remuneratório e recuperação da carreira de psicólogo escolar”.

Segundo Ana Almeida, o Sindicato Nacional dos Psicólogos e outras organizações de defesa dos trabalhadores envolvidos no processo já se reuniram com a Secretária De Estado, Inês Ramires, acusando a tutela de falta de “abertura para as reivindicações” que passam pela “efetivação, pela carreira e pela possibilidade destes trabalhadores terem a sua vida estabelecida e estabilizada”.

A Lusa tentou obter uma reação por parte da DGEST, sem sucesso até ao momento.

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