25 Setembro 2022, 08:31

Timor-Leste/Eleições: José Ramos-Horta critica “incapacidade” do Governo

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 04 abr 2022 (Lusa) — O candidato presidencial timorense José Ramos-Horta criticou hoje a “incapacidade” do Governo para prevenir e responder a cheias como as de abril de 2021, numa altura em que ainda há famílias deslocadas.


“A não resolução das sequelas das inundações catastróficas que assolaram o país demonstra a incapacidade do Governo em dar resposta ao que é absolutamente prioritário e humano”, afirmou o ex-Presidente em declarações à Lusa.


Ramos-Horta falava no aniversário das cheias de 2021 que causaram dezenas de mortos, deixaram dezenas de milhares de famílias desalojadas e destruíram infraestruturas publicas e privadas.


Um ano depois, ainda há famílias em acomodação temporária, a cidade de Díli tem várias infraestruturas por arranjar, com canais entupidos e outros problemas que emergem sempre que chove.


Ramos-Horta acusou o Governo não ter respondido adequadamente, deixando a capital “praticamente sem atenção e manutenção”.


“Fico muito triste que, ao mesmo tempo que mostram esta incapacidade, agora, em tempo de campanha, façam promessas que eles sabem que são inexequíveis em termos do nosso orçamento, das capacidades do país e que são gravosas em termos de violações de todas as normas”, afirmou.


“Por exemplo, a campanha da Fretilin diz que se [o atual presidente] Francisco Guterres Lú-Olo for eleito darão 200 dólares [181 euros] a cada família. Isso só acontece em alguns regimes e nem é competência do PR [Presidente da República], e o executivo não pode fazer promessas tão irresponsáveis, escandalosas e que sabem que não podem cumprir”, sustentou Ramos-Horta.


Como exemplo do que considera ser a inação do Governo, ele apontou a “tragédia do dengue”, que este ano já causou quase 50 mortos, acusando o executivo de ignorar alertas meteorológicos.


“Os serviços avisaram-nos, quase um ano antes, de que ia haver novas fortes chuvas e ventos. No entanto, [as autoridades] não fizeram preparativos para pulverizar todos os bairros de Díli, campanhas para que as populações não deixassem águas paradas e não se adquiriram stocks de medicamentos”, referiu.


Nos últimos anos, considerou Ramos-Horta, tem-se evidenciado uma grande degradação do espaço urbano na capital, sem qualquer manutenção em estradas, passeios e outras infraestruturas públicas, como canais de drenagem ou leitos e zonas de pontes.


“Com pouco dinheiro podia ir-se fazendo manutenção de estradas em Díli e arredores, com pouco dinheiro podiam mobilizar brigadas de trabalho, incluindo entre os desempregados, para fazer e apoiar os serviços sanitários para fazer limpeza de todos os canais de escoamento de águas das ribeiras”, afirmou.


“Com mobilização de jovens desempregados, podia-se ter feito mais campanha ainda para desobstruir partes onde há pontes onde facilmente aumenta o caudal e se acumulam lixo e destroços”, afirmou Ramos-Horta.


Ele considera que nos últimos anos “Díli parece abandonado” com total “inação do executivo, apesar de ter tanto dinheiro e de gastar tanto em per diems” para os funcionários.


“E ainda injetavam dinheiro na economia, mobilizavam jovens no interior nos sucos [divisão administrativa], para serem eles a fazerem manutenção”, propôs Ramos-Horta.


O candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, critica, por isso, os comentários do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, que em entrevista à Lusa se mostrou satisfeito com o que o Governo alcançou.


“O senhor primeiro-ministro deve viver nalgum outro planeta, não no planeta Timor-Leste. Como ele praticamente só faz escritório-casa, casa-escritório, vive como os regimes fechados em si, não tem conexão com a realidade do país”, disse Ramos-Horta.


“A economia caiu 8% apesar de um enorme orçamento e de terem dinheiro disponível”, lamentou.


A campanha para a segunda volta das presidenciais decorre até 16 de abril, com o voto marcado para 19 de abril.


 


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