05 Outubro 2022, 15:52

Timor-Leste/Eleições: José Ramos-Horta destaca grandes multidões no arranque da campanha

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Díli, 04 abr 2022 (Lusa) — O candidato presidencial José Ramos-Horta disse hoje estar surpreendido com a grande afluência que as primeiras ações de campanha têm registado, defendendo que refletem o crescente apoio à sua candidatura na segunda volta.


“Em Oecusse, no arranque, tivemos mais do que o dobro do primeiro comício, na primeira volta. Vemos a determinação das pessoas na região, onde a Fretilin e a campanha de [Francisco Guterres] Lú-Olo está mais isolada”, afirmou Ramos-Horta à Lusa.


“Estive por lá dois dias, dei a volta pela cidade e quase não se viam bandeiras da Fretilin, um quase repudio total à Fretilin”, disse, referindo-se ao partido que apoia a candidatura do seu rival na segunda volta, Lú-Olo.


Ramos-Horta disse que a população de Oecusse teceu várias críticas à administração regional — que tem sido controlada por quadros da Fretilin -, inclusive “queixas de que indemnizações por expropriação de terras não foram pagas”.


“Fora da capital também não houve quase qualquer construção de infraestruturas”, disse ainda.


Ramos-Horta explicou ter ficado igualmente surpreendido no domingo, em Liquiçá, a oeste de Díli, onde estavam previstos apenas pequenos diálogos com a comunidade e acabou por haver uma concentração de “quase 2.000 pessoas”.


“São números grandes e que contrastam com a reduzida participação nos comícios de Lú-Olo em Gleno e Suai”, considerou.


Manifestando confiança numa vitória ampla na segunda volta, marcada para 19 de abril, José Ramos-Horta disse que a campanha do atual chefe de Estado ser]a penalizada pela participação do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak.


“Taur Matan Ruak está desacreditado, sobretudo pelas sequelas de 2006. Ele vangloria-se de ser o único general do mundo que teve coragem de expulsar 600 militares, o que depois resultou no grande conflito sangrento de Díli”, afirmou.


“Em 2012, quando se candidatou com o apoio de Xanana Gusmão, e por causa de Xanana Gusmão, o assunto não foi tocado, mas desta vez, com Taur Matan Ruak a atacar-me a mim e a Xanana Gusmão, sente-se o efeito contrário”, disse Ramos-Horta.


O ex-Presidente explicou que vai fazer grande parte da sua campanha em diálogos comunitários, a nível local, com menos comícios, explicando que o objetivo é ter acesso mais próximo a populações “que se têm sentido muito abandonadas”.


“Durante este mandato do Governo e do Presidente, eu andei pelo país todo e percorri os bairros de Díli. Nem o Presidente nem o primeiro-ministro fizeram isso. Ficaram nos seus palácios”, disse.


Ramos-Horta venceu a primeira volta das presidenciais com 303.477 votos (46,56%), à frente de Lú-Olo com 144.282 votos (22,13%), numa corrida em que participaram ainda 14 outros candidatos.


Na primeira volta votaram 664.106 dos 859.613 eleitores inscritos, com a abstenção a cair face ao voto de 2017, para 22,74%.


A campanha decorre até 16 de abril e a votação está marcada para 19 de abril.


 


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