26 Janeiro 2022, 07:38

Torre de Vigia de Canidelo vai transformar-se em centro oceânico multifuncional e inovador

© Amândia Queirós | Mundo Atual

Com o objetivo de a tornar num importante centro de reciclagem e de reutilização de lixo marinho, a câmara municipal de Vila Nova de Gaia juntou-se à Fundação Parley for the Oceans, num projeto inovador que reúne três vertentes distintas: Parley Ocean School, Centro de Interpretação e  Centro Interativo.

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O memorando de entendimento foi assinado, este sábado, pelo presidente da autarquia, Eduardo Vitor Rodrigues e por Daniela Coutinho, diretora da Parley for the Oceans Portugal, numa cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho e que contou com a presença do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e do vice-almirante Gouveia e Melo, do Estado-Maior-General das Forças Armadas e ex-coordenador do plano de vacinação Covid-19. Presentes estiveram, ainda, representantes de outros parceiros intervenientes no projeto, nomeadamente Cristina Máguas, do centro de investigação Ce3C/FCUL, e Rui Oliveira, do INESC/TEC.

A preocupação com a sustentabilidade ambiental tem sido uma das bandeiras do executivo camarário de Gaia e, para Eduardo Vitor Rodrigues esta “constitui um conjunto inseparável com várias outras formas de sustentabilidade: económica, social ou arquitetónica”. “Este projeto não é um ponto de chegada mas sim de partida para uma nova fase de desenvolvimento sustentável no concelho”, garante o autarca.

© Amândia Queirós | Mundo Atual

Economia azul

No antigo posto da Guarda Fiscal do Canidelo, abandonado há mais de uma década, e que agora será requalificado para o efeito, vai nascer a «Air Station», um projeto que visa a garantia do Desenvolvimento Sustentável, onde a Parley for the Oceans irá incrementar um conjunto de atividades e iniciativas que invertam a poluição marinha.

Para Daniela Coutinho, a infraestrutura possui a localização perfeita para o desenvolvimentos deste projeto, já que se encontra na “interceção entre a foz do rio Douro e o início do oceano Atlântico”.

Este espaço passará, também, a acolher o Centro de Interpretação e dará forma a um centro oceânico multifuncional. O principal objetivo é o desenvolvimento e implementação de um processo inovador para reciclagem e reutilização do lixo marinho. Isto será possível através da recolha de plásticos e do seu reaproveitamento para produção de novos materiais, dentro dos princípios da economia circular. As estimativas apontam para que cerca de 73 por cento do lixo encontrado, anualmente, nas praias seja plástico, e este tem sido reconhecido como um dos problemas mais urgentes que os oceanos enfrentam, com impacto na sociedade, economia e biodiversidade. Para além dos plásticos comuns que circulam nas águas, estima-se que mais de 136 toneladas que chegam, anualmente, à costa, sejam de microplásticos, um fenómeno perigoso por não ser visualmente detetado. Daí, como explica Cristina Máguas, do centro de investigação Ce3C/FCUL, a importância de bioindicadores que detetem e ajudem a perceber a presença desses materiais nocivos e invisíveis, como os líquenes, que fazem parte da flora da orla costeira. “Estes organismos constituem importantes indicadores ecológicos que contêm informação relativamente a alterações no meio ambiente”, explicou.

Se para o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo este é um “combate comum em prol da sustentabilidade e do meio ambiente” à semelhança “do combate que continuamos a fazer à pandemia”, para João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Ação Climática, constitui “um projeto excecional” e uma “forte aposta na saúde ambiental e no desenvolvimento sustentável”.

O projeto vai, assim, contribuir para o crescimento económico, marinho e marítimo, a longo prazo, e para a coesão social, em termos de comunidades locais, apostando também no capital humano, através da criação de novos postos de trabalho de economia azul.

Sensibilização, envolvimento e ativismo

Paralelamente, o projeto pretende contribuir para a promoção da literacia oceânica e consciencialização ambiental. A Parley Ocean School pretende a promoção da educação através da inspiração de uma nova classe de embaixadores da juventude para o movimento em causa, combinando a consciencialização, a exploração e o ativismo.

Todas as iniciativas promovidas pela Fundação têm a colaboração de escolas locais, ONG e respetivos governos, focando-se em três pilares fundamentais como sensibilização, exploração e ativismo. Por sua vez, o Centro de Interpretação permitirá a realização de atividades e eventos que estimulem a troca e a partilha de conhecimento sobre a sustentabilidade marinha e os valores geológicos da Praia de Lavadores.

Por fim, o Centro Interativo pretende o envolvimento dos cidadãos no compromisso da sustentabilidade, bem como a promoção de uma relação próxima com a vida oceânica, oferecendo a todos os visitantes a possibilidade de uma experiência de mergulho visual. A tecnologia surge, assim, “como uma vertente fundamental ao serviço da sustentabilidade e da ação climática”, de acordo com Rui Oliveira, administrador do INESC/TEC e responsável pela implementação de um dos oito supercomputadores europeus em Portugal.

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