05 Fevereiro 2023, 10:23

Traficante de armas Viktor Bout regressa à Rússia em troca de presos

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Moscovo, 09 dez 2022 (Lusa) — O conhecido traficante de armas Viktor Bout, que estava a cumprir uma pena de 25 anos de prisão nos Estados Unidos, já regressou à Rússia, numa troca de presos entre os dois países.


O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo disse, em comunicado, que a troca, na qual a Rússia ‘devolveu’ aos Estados Unidos a basquetebolista Brittney Griner, presa na Rússia desde fevereiro, ocorreu em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.


A televisão russa mostrou um vídeo de Bout, de 55 anos, a chegar ao aeroporto de Vnukovo, em Moscovo, e a ser abraçado pela mulher, Alla, e pela mãe, Raisa Bout.


“Acordaram-me e disseram-me para juntar os meus pertences”, disse Bout, referindo-se às autoridades prisionais dos EUA. “Eles não forneceram qualquer informação em particular, mas eu entendi a situação que se estava a desenrolar,” acrescentou.


A troca foi autorizada pela administração do Presidente norte-americano, Joe Biden, para conseguir o regresso de Griner, de 32 anos.


A basquetebolista, que conquistou duas medalhas de ouro olímpicas para os Estados Unidos, foi detida no aeroporto de Moscovo, em fevereiro, por alegada posse de droga e, em agosto, foi sentenciada a nove anos e meio de prisão.


A troca dividiu a oposição pública norte-americana, sobretudo devido à libertação de Bout, dado como culpado de vender milhões de dólares em armas em solo norte-americano, que seriam utilizadas para atacar o país.


A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, reconheceu que os “resultados imediatos” da troca “podem parecer injustos ou arbitrários”, uma vez que “as negociações para a libertação de presos são por vezes muito complicadas”.


Washington realizou uma avaliação antes do acordo, concluindo que Bout não representaria uma ameaça à segurança do país, sublinhou.


Jean-Pierre garantiu ainda que a administração Biden continua em contacto com a família do ex-fuzileiro naval norte-americano Paul Whelan, preso na Rússia por espionagem.


“Os russos não estavam dispostos a negociar de boa-fé a libertação de Paul Whelan neste momento”, disse a porta-voz. “Estamos empenhados em garantir a libertação de Paul”, acrescentou.


“Estou muito desapontado por não ter sido feito mais para garantir a minha libertação, especialmente com a aproximação do quarto aniversário da minha prisão,” disse Whelan, em entrevista à televisão norte-americana CNN.


“Fui detido por um crime que nunca aconteceu (…). Não percebo porque ainda estou aqui sentado”, disse, num telefonema, a partir de uma prisão de Moscovo.



VQ (LG) // EJ


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