04 Julho 2022, 04:51

Turquia disposta a discutir com Suécia e Finlândia candidaturas à NATO

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Berlim, 14 mai 2022 (Lusa) — A Turquia está disponível para discutir com a Suécia e a Finlândia as suas candidaturas à NATO e os motivos da oposição de Ancara a esse alargamento, disse hoje o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu.


“A grande maioria do povo turco está contra a adesão destes países que apoiam a organização terrorista PKK e pede-nos que bloqueemos essa adesão”, afirmou o ministro antes de uma reunião da NATO em Berlim, em que participarão os homólogos finlandês e sueco.


“Mas isso são questões das quais devemos falar, com certeza, com os nossos aliados da NATO e com os países” em causa, acrescentou.


Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO reúnem-se entre hoje e domingo em Berlim para coordenar a resposta à guerra na Ucrânia, quando se discute a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança Atlântica.


Na sexta-feira, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan considerou “um erro” a entrada dos dois países na NATO, acusando a Suécia e a Finlândia de “albergarem terroristas do PKK”, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, considerado organização terrorista por Ancara, mas também pela União Europeia e pelos Estados Unidos.


Foi a primeira voz dissonante no seio dos 30 aliados a propósito desta matéria.


A entrada de um novo Estado-membro na NATO requer unanimidade, o que significa que a Turquia poderá bloquear a adesão dos dois países escandinavos, cuja candidatura deverá ser formalizada nos próximos dias.


A invasão da Ucrânia por Moscovo em 24 de fevereiro fez mudar a opinião pública e política na Finlândia e na Suécia no sentido de uma adesão à NATO, vista agora como uma proteção contra uma eventual agressão russa.


A concretizar-se, a adesão dos dois países nórdicos significará o abandono da sua histórica posição de não-alinhamento.


A Rússia avisou a Finlândia de que será forçada a tomar medidas de retaliação, “tanto técnico-militares como outras”, se o país aderir à NATO.


A Rússia partilha 1.340 quilómetros de fronteira terrestre com a Finlândia e uma fronteira marítima com a Suécia.


Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia exigiu à NATO a proibição da entrada do país vizinho na organização e o recuo de tropas e armamento dos aliados para as posições de 1997, antes do alargamento a leste.



FPA // MAG


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