02 Julho 2022, 12:56

Ucrânia: Papa diz que guerras destroem todos os povos envolvidos

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Cidade do Vaticano, 23 abr 2022 (Lusa) – O Papa condenou hoje a guerra na Ucrânia e todas as que ocorrem pelo mundo, sublinhando que destroem “todos os povos envolvidos”.


Durante duas audiências no Vaticano, Francisco referiu-se às “vítimas da guerra que está a destruir não apenas a Ucrânia, mas todos os povos envolvidos na guerra”.


“Porque a guerra não destrói só o povo vencido, mas também o vencedor e os que observam com olhos superficiais. A guerra destrói todos”, afirmou, durante uma audiência com peregrinos italianos.


“As tragédias que estamos a viver atualmente, em particular, a guerra na Ucrânia, tão próxima de nós, lembram-nos a urgência de uma civilização do amor. No olhar dos nossos irmãos e irmãs, vítimas dos horrores da guerra, lemos a necessidade profunda e urgente de uma vida marcada pela dignidade, a paz e o amor”, acrescentou, noutra audiência com participantes numa conferência.


Francisco retomou hoje a sua agenda pública depois de ter anulado os compromissos de sexta-feira para se submeter a exames médicos, segundo fontes oficiais do Vaticano.


O Papa tem expressado frequentemente a sua preocupação com a guerra na Ucrânia, após a invasão russa iniciada em 24 de fevereiro, tendo chegado a propor a mediação do Vaticano.


No entanto, esta semana, decidiu não ir a Kiev como tinha ponderado fazer, nem reunir-se com o chefe da igreja ortodoxa russa, o patriarca Kirill.


O Papa afirmou que não pode “fazer nada que ponha em risco objetivos superiores, que são o fim da guerra, uma trégua ou, pelo menos, um corredor humanitário”.


A igreja ortodoxa russa apoiou anteriormente a “operação especial” da Rússia na Ucrânia (como Moscovo se refere à invasão do país vizinho), o que, segundo especialistas, foi uma das razões para a suspensão do encontro entre Kiril e o Papa Francisco, que se realizaria em junho.


Ao mesmo tempo, Francisco disse, numa entrevista ao jornal La Nación, que a sua relação com Kiril, com quem se encontrou apenas uma vez em Havana, em 2016, é “muito boa”.


“A nossa diplomacia entendeu que uma reunião dos dois neste momento poderia prestar-se a muitas confusões”, explicou.


A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.


A guerra causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para fora do país, de acordo com a ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).



MP (HN) // ZO


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