15 Maio 2022, 08:06

Ucrânia: Papa pede ao patriarca russo Kiril para defender a paz e o fim da guerra

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Cidade do Vaticano, 25 abr 2022 (Lusa) – O Papa Francisco pediu por carta ao patriarca Kiril, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, para defender a paz na Ucrânia e o fim da guerra, noticiou hoje o portal de notícias do Vaticano, Vatican News.

“Que o Espírito Santo transforme os nossos corações e nos converta em verdadeiros artífices da paz, especialmente para a Ucrânia devastada pela guerra, para que o grande passo pascal da morte para uma nova vida em Cristo seja uma realidade para o povo ucraniano, que anseia um novo amanhecer que ponha fim à escuridão da guerra”, afirmou o papa, citado pela agência espanhola Efe.

O pontífice enviou esta mensagem a Kiril e a outros patriarcas de ramos ortodoxos do cristianismo, por ocasião da Páscoa, que algumas igrejas católicas e ortodoxas celebraram no domingo, de acordo com o calendário juliano, adiantou Vatican News.

O Papa Francisco lamentou ainda “o sofrimento da família humana, esmagada pela violência, pela guerra e por tantas injustiças”.

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) criticou no domingo eventuais sanções ao Patriarca Kirill pela sua posição sobre o conflito na Ucrânia, condenada por Kiev e outras nações ocidentais.

A IOR apoiou anteriormente a “operação especial” russa na Ucrânia, o que, segundo especialistas, foi uma das razões para a suspensão do encontro entre Kiril e o Papa Francisco, que se realizaria no próximo mês de junho.

Ao mesmo tempo, Francisco disse numa entrevista ao jornal La Nación que a sua relação com Kiril, com quem se encontrou apenas uma vez em Havana, em 2016, é “muito boa”.

“A nossa diplomacia entendeu que uma reunião dos dois neste momento poderia prestar-se a muitas confusões”, explicou o pontífice sobre o motivo do cancelamento do encontro com Kiril.

Questionado sobre as razões de não ter viajado para a Ucrânia como sinal de apoio àquele país, o Papa Francisco afirmou na altura que nas condições atuais não pode “fazer nada que ponha em risco objetivos mais elevados”, como a possibilidade de se alcançar uma trégua ou “pelo menos, um corredor humanitário”.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

HN // ZO

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