18 Setembro 2022, 07:16

Ucrânia: Um Prémio Nobel e centenas de cientistas russos exigem fim da guerra

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Paris, 25 fev 2022 (Lusa) — Um grupo de 664 cientistas russos, encabeçado por membros da Academia de Ciências da Rússia e pelo Nobel da Física Konstantin Novosiolov, protestaram hoje contra a guerra “sem justificação racional” lançada pela Federação Russa na Ucrânia.


“Exigimos o fim imediato de todo os atos de guerra contra a Ucrânia. Exigimos o respeito da soberania e da integridade do território ucraniano. Exigimos a paz para o nosso país”, escreveram os cientistas em uma carta aberta publicada pelo diário francês Le Monde.


Os cientistas classificaram esta guerra como “injusta e absurda” e apontaram que “vai causar a morte de um grande número de pessoas”.


No seu entender, “esta guerra não tem nenhuma justificação racional. As tentativas de manipular a situação no Donbás para servir de pretexto para iniciar operações militares não enganam absolutamente ninguém. É evidente que a Ucrânia não representa uma ameaça” para a Federação Russa, acentuaram.


Para os cientistas, esta guerra “é contrária aos fundamentos do sistema de segurança coletiva”.


O linguista Aleksandr Anikin, o matemático Viktor Vasilev ou o físico Konstantín Novosiólov, que obteve em 2010 o Prémio Nobel de Física, são alguns dos subscritores que consideram que “a responsabilidade de iniciar esta nova guerra na Europa recai inteiramente sobre a Rússia”.


Os investigadores, entre os quais estão geólogos, filólogos, historiadores, jornalistas e catedráticos de distintos campos científicos e com representação nas organizações científicas da Federação Russa, recordaram, por outro lado, os vínculos ente ucranianos e russos.


“Os nossos pais, avôs e bisavôs combateram juntos os nazis. Iniciar uma guerra para satisfazer as ambições geopolíticas de dirigentes da Federação da Rússia, movidos por considerações históricas duvidosas e fantasiosas, é atraiçoar a sua memória”, escreveram.


Os cientistas acrescentariam que “compreendem a opção pró-europeia dos seus vizinhos” e estão convencidos de os problemas entre os dois Estados podem resolver-se de forma pacífica.


“Ao iniciar esta guerra, a Federação Russa condenou-se ao isolamento internacional e a um destinado do país pária. Isto significa que nós, investigadores, não podemos fazer as nossas investigações com normalidade, uma vez que o avanço científico é impensável sem uma cooperação profunda com colegas estrangeiros”, consideraram.


Mostrando-se preocupados que o isolamento internacional da Federação Russa agrave ainda mais “a degradação cultural e tecnológica” russa, acusaram que a guerra “é um passo para o vazio”.


Terminaram com um lamento: “Com dor, vemos, o nosso país, cujo papel na derrota do nazismo foi decisivo, iniciar neste momento uma guerra no continente europeu”.



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