07 Dezembro 2022, 19:11

Um terço da população latino-americana vai acabar 2022 na pobreza, diz comissão da ONU

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Santiago do Chile, 24 nov 2022 (Lusa) — Cerca de 32 por cento da população da América Latina e Caraíbas, equivalente a 201 milhões de pessoas, viverá na pobreza no final deste ano, dos quais 82 milhões (13,1 por cento) em pobreza extrema, revelou hoje a ONU.


“Os níveis previstos de pobreza extrema em 2022 representam um revés de um quarto de século para a região”, alerta a Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (CEPAL), uma instituição regional das Nações Unidas.


“A cascata de choques externos, o abrandamento do crescimento económico, a fraca recuperação do emprego e o aumento da inflação aprofundam-se e prolongam a crise social na América Latina e nas Caraíbas”, indicou o secretário executivo da instituição, José Manuel Salazar-Xirinachs.


Depois de um forte crescimento da pobreza e um ligeiro aumento da desigualdade de rendimentos em 2020 devido à pandemia, em 2021 registou-se uma redução das taxas de pobreza e pobreza extremas, mas não foi suficiente para inverter os efeitos negativos da crise pandémica, de acordo com o relatório Panorama Social da América Latina e Caraíbas 2022.


Os números indicam que, no final deste ano, mais 15 milhões de pessoas estarão em situação de pobreza, comparativamente à situação pré-pandemia, e que o número de pessoas em situação de pobreza extrema será 12 milhões superior ao de 2019.


A América Latina, a região mais afetada pela pandemia, cresceu 6,9% em 2021, após o colapso de 6,8% registado em 2020, a maior recessão em 120 anos.


Para 2022, a CEPAL projeta um crescimento de 3,2%, embora preveja um abrandamento de 1,4% em 2023.


O desemprego previsto para este ano representa um revés de 22 anos e irá afetar especialmente as mulheres, para as quais o desemprego cresce de 9,5% em 2019 para 11,6% em 2022.


A incidência da pobreza é maior em alguns grupos populacionais: mais de 45% das crianças e adolescentes vivem sem recursos e a taxa é maior nas mulheres entre os 20 e os 59 anos do que nos homens em todos os países da região.


Da mesma forma, a pobreza é consideravelmente maior na população indígena ou afrodescendente, revela o documento.


A América Latina e as Caraíbas sofreram também o pior efeito a nível da educação (70 semanas de encerramentos escolares médios, em comparação com 41 semanas no resto do mundo), agravando as desigualdades pré-existentes no acesso, inclusão e qualidade do ensino, segundo o relatório.


Os dados do relatório indicam que na América Latina a percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que não estuda ou trabalha numa base remunerada aumentou de 22,3% em 2019 para 28,7% em 2020, afetando especialmente as mulheres jovens.



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