09 Dezembro 2022, 17:59

Uma volta de 360 graus na vida das crianças

Inês Duarte Administrator

A Academia 360 visa a criação de uma sociedade liderada pela Igualdade, Tolerância e Inclusão de crianças e jovens em idade escolar. Fragilizados pelos mais diversos contextos, o projeto contribui para que cresçam com um sentimento de pertença e integração, inspirando a sua evolução pessoal, mas também, a evolução da comunidade onde vivem. O Mundo Atual dá-lhe a conhecer um programa que promete impulsionar crianças e jovens a mudarem de vida.

A Academia 360 tem no desporto coletivo o seu pilar de atuação junto da sociedade, promovendo, através da prática regular, formal e gratuita, a intervenção multidisciplinar em crianças de grupos de risco, identificados pré obesos e obesos, nas suas famílias e na comunidade em geral.

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“Os valores inerentes ao desporto, o respeito pelo próximo e o esforço” representam as maiores dificuldades de trabalhar com crianças, entre os 6 e os 12 anos, quando é, para muitas, a primeira vez que praticam desporto, dado que “a maioria é posta de parte por sofrer de pré-obesidade e obesidade”.

Na Academia 360, “sentem-se valorizadas e fazem parte de uma equipa, num ambiente confortável e seguro, em que se afirmam através da prática desportiva como qualquer outra criança”, garante, ao Mundo Atual, o presidente da Academia 360.

“Levar o desporto e a nutrição gratuitamente a estas pessoas é um bem que fazemos por nós” 

De acordo com Miguel Costa, “utilizar o desporto como forma de educar/reeducar as crianças para a prática desportiva e a alimentação saudável”, traduz os objetivos deste projeto, nada competitivo, mas com a ambição de “impactar socialmente a educação das crianças e da comunidade em geral, mudando mentes”.

O projeto, que nasceu antes da pandemia, enfrentou muitas dificuldades devido às condições impostas pela Covid-19, contudo “o facto de ser um projeto diferenciador condiciona um entrave que tem de ser ultrapassado”, frisa Miguel Costa, acrescentando que “as atividades praticadas abrangem o minibasquetebol ou o basquetebol, conjugado com psicologia e nutrição, de forma a combater a obesidade e sobretudo alterar estilos de vida”.

Isa Brandão, nutricionista na Academia, refere que o tema da obesidade infantil ainda é “difícil de ser falado na comunidade”, muitas das vezes, porque “os próprios pais não aceitam esta avaliação”. Ao contrário do que se pensa, esta, “não é uma questão meramente estética”. A obesidade infantil pode introduzir “complicações sérias na saúde, como diabetes não insulino-dependente, problemas cardiovasculares, hipertensão arterial, asma brônquica, problemas psicológicos, entre outros”.

Para além disso, estima-se que “mais de 60% das crianças obesas serão adultos obesos, reduzindo a média da idade no aparecimento dessas doenças” o que condiciona uma “diminuição da qualidade de vida e do rendimento”, garante a nutricionista. “É necessário, como sociedade, levar este problema a sério”, acrescenta Isa Brandão, sublinhando que “apesar da obesidade infantil ser mais prevalente entre pessoas economicamente desfavorecidas”, representa “um problema social”.

O problema será o acompanhamento

A Academia, situada em Gaia, arranca “com dois pólos: o de Valadares e o de Avintes”. Juntamente a estes pólos, “vamos começar, em parceria com os clubes de Gaia, a ter alunos externos – que fazem a prática desportiva noutro clube – e vão ser acompanhados por nós, na parte da nutrição, psicologia e medições”, afirmou Miguel Costa.

O ISMAI é a entidade externa responsável pela avaliação do estado nutricional da criança calculado, pelos valores do Índice de Massa Corporal (IMC), através das medições antropométricas, peso e altura, e comparado com o respetivo valor de referência para a idade, regulares ao longo do ano.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde (DGS) recomenda como referência as curvas de crescimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2007. A obesidade é assim definida quando “o percentil do IMC para a idade da criança se encontra acima do Percentil 97”, explica a nutricionista.

“O problema será o acompanhamento”. De acordo com Isa Brandão, “a partir do momento em que deixa de haver fundos para continuar o projeto, este é interrompido” e as crianças deixam de ter “atividade física e acompanhamento nutricional extra”. Como consequência “podem desistir e retroceder”. Este deve ser “um projeto a longo prazo” idealizado “com o acompanhamento, durante a fase escolar da criança”.

Atualmente, a Academia 360 acompanha um total de 25 crianças, tendo como missão atingir as 250.

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