20 Agosto 2022, 07:13

Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar Gaia/Espinho concluída no dia 30

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Na companhia do Presidente do Conselho de Administração, Rui Guimarães, o «Mundo Atual» foi conhecer a nova Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar Gaia/Espinho, cujas obras terminam no próximo dia 30.

Em apenas 90 dias, Gaia viu «nascer» a nova Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar cujas obras terminam no final do mês – a inauguração está prevista para a primeira semana de Dezembro.

Acompanhados pelo Presidente do Conselho de Administração, o «Mundo Atual» foi conhecer a Unidade que vai prestar apoio médico a mais 28 doentes de toda a Zona Norte, numa altura em que os números de infetados por Covid-19 continuam a crescer em Portugal. Recorde-se que a obra, que ronda os 3,3 milhões de euros, integra a Fase C do Centro Hospitalar e foi antecipada precisamente para dar resposta ao crescente número de internados nestas unidades.

“A Unidade de Cuidados Intensivos foi antecipada a pensar no Covid-19. Já está integrada junto da fase C, ou seja, é já uma fração e vai permitir dar a resposta que o País precisa para que o número de camas por 100 mil habitantes se aproxime da média europeia. Ter mais 28 camas é um grande contributo não só para Gaia, mas para toda a Região Norte”, defendeu Rui Guimarães, recordando ainda que “na semana passada recebemos doentes de Penafiel. Portanto, acaba por ser uma rede de apoio a outros hospitais também”.

O Presidente do Conselho de Administração enalteceu o esforço que tem sido feito para que esta obra de “extrema importância” fique concluída dentro dos prazos e reforçou o a “enorme compreensão” de todos, nomeadamente dos profissionais de saúde que ”têm lidado de perto com as obras”.

No dia em que visitamos a nova Unidade, a azáfama era grande, assim como o número de pessoas que ali trabalhavam para que os prazos sejam cumpridos e a obra seja concluída no final do mês, tal como previsto.

Rui Guimarães mostrou-nos todo o espaço explicando que todos os doentes ali internados estarão em «quartos» individuais, uma espécie de box’s totalmente equipadas e com luz natural, sendo que quatro deles têm isolamento total.

Em cada uma, “o ar renova-se 10 vezes por hora”, o “equivalente ao que acontece num bloco operatório”. Para além disso, há outras mudanças que vão ajudar os profissionais de saúde, como o facto “de as camas pesarem automaticamente os doentes ou de os colchões terem pressão alternada e permitirem movimentos autónomos evitando que os enfermeiros façam esse esforço”.

Naqueles 1800 metros quadrados, onde se salvam vidas, é ainda possível, de uma forma rápida, fazer isolamento de uma das áreas, caso seja necessário e num curto espaço de tempo.

Relativamente à contratação de mais profissionais de saúde para dar resposta às novas necessidades, tendo em conta a UCI, o Presidente do Conselho de Administração admitiu “dificuldades”.

“É mais fácil comprar um ventilador do que contratar um enfermeiro com formação de intensivos. E essa tem sido uma grande dificuldade. Temos uma bolsa aberta para contratos sem termo, mas é muito difícil preencher. E isso preocupa-nos. Mas é uma necessidade internacional e um desafio para todos.”

Nova urgência abre dia 27

São 5000 metros quadrados que a partir próximo dia 27 deixam de ser uma promessa constantemente adiada e se tornam realidade.

Acompanhados por um “orgulhoso” presidente do Conselho de Administração percorremos as novas instalações, começando pela Urgência de Pediatria, espaço com acesso próprio e pensado para que nada falte às crianças numa situação de emergência. Encontramos ainda cinco gabinetes de atendimento numa unidade que é um open space (espaço aberto) com “mais vigilância, observação e isolamento caso seja necessário”, explica-nos Rui Guimarães que nos mostra ao detalhe o espaço pensado para as crianças, desde as camas com luzes de presença, até às casas de banho em tamanho minúsculo.

Rui Guimarães alerta-nos ainda para um pequeno botão que encontramos numa parede de um «quarto» da urgência. Trata-se de um “seletor de pressão. Com um só gesto conseguimos a transformação de pressão positiva ou negativa, conforme necessidade do doente. Isto antigamente tínhamos que ir ao telhado mudar! Portanto, já aprendemos isto com o Covid e já está em prática”.

Urgência é prémio para os profissionais

Seguimos para a Urgência para Adultos, espaço de 5000 metros quadrados que contrasta com os atuais 1900. Também aqui encontramos uma sala de emergência com “capacidade para receber vários politraumatizados ao mesmo tempo, por exemplo”. Naquele que é o “sítio mais crítico e onde ninguém quer chegar”, há ainda, explica-nos Rui Guimarães, “grelhas de extração de ar que fazem com que a renovação do mesmo seja igual ao de um bloco operatório”.

“Ou seja caso seja preciso realizar um procedimento cirúrgico de emergência isso pode ser realizado em segurança”, sublinha o Presidente do CA. Renovando um apelo repetido a cada Inverno, ou sempre que a situação nos hospitais se agrava, Rui Guimarães frisa a necessidade de as pessoas não procurarem a Urgência sem necessidade para nos mostrar, de seguida, a nova zona verde, aquela que “vai receber os doentes com pulseiras verdes”.

“Estamos a falar de uma área quase à parte, sem que a perturbação do normal funcionamento seja afetada, onde estes doentes vão aguardar pelo atendimento”, conta-nos, antes de prosseguir com a “mensagem difícil” de avisar a população que são as “unidades de cuidados primárias que devem atender as situações menos urgentes”.

Entramos, depois, na sala amarela, para doentes com pulseiras da mesma cor, um espaço aberto com capacidade para 40 doentes e onde os profissionais estão próximos, no meio da sala, em mesas ordenadas em «U», à semelhança do que acontece, por exemplo numa unidade de cuidados intermédios ou de observação, onde os médicos e os enfermeiros conseguem monitorizar os doentes e estar “mais perto deles também”.

No apoio às urgências estão ainda duas salas fundamentais: as de radiologia. Duas para Raio-X e uma TAC. E também aqui há pormenores que fazem a diferença, principalmente para os profissionais já que estas salas com têm janelas com entrada de luz direta – próprias para estes locais.

De referir ainda que as novas unidades estão equipadas com serviço de transporte pneumático, um sistema que consiste numa rede de tubagem e que permite que amostras clínicas ou unidades de sangue sejam transportadas para os respetivos serviços, evitando deslocações físicas.

O Presidente do Conselho de Administração não tem dúvidas que a “mudança para a nova casa” é um justo “prémio” para todos os profissionais de saúde que passaram tantos anos a trabalhar “em condições pouco adequadas”.

“O esforço que todos fizeram a trabalhar em condições tão difíceis é hoje reconhecido com estas instalações que vão proporcionar melhores cuidados”, conclui.

 

Fotos: Amândia Queirós

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