08 Setembro 2022, 23:35

Volta a Portugal: O contrarrelógio colocou ‘Mauri’ no seu lugar

© Volta a Portugal
mundoatual AdministratorKeymaster

Agora que chegou aqui…

Ao longo do último ano, o MUNDO ATUAL tem conquistado cada vez mais leitores.
Nunca quisemos limitar o acesso aos nossos conteúdos, ao contrário do que fazem outros órgãos de comunicação, e mantivemos sempre todas as notícias, reportagens e entrevistas abertas para que todos as pudessem ler.
Mas precisamos do seu apoio. Para que possamos, diariamente, continuar a oferecer-lhe a melhor informação, não só nacional como local, assim como para podermos fazer mais reportagens e entrevistas do seu interesse.
O MUNDO ATUAL é um órgão de comunicação social independente e isento. E acreditamos que para que possamos continuar o nosso caminho, que tem sido de sucesso e de reconhecimento, é importante que nos possa ajudar neste caminho que iniciámos há um ano.
Desta forma, por tão pouco, com apenas 1€, pode apoiar o MUNDO ATUAL.

Obrigado!

O contrarrelógio colocou hoje Mauricio Moreira onde todos esperavam, no lugar mais alto do pódio da 83.ª Volta a Portugal, que partilhou com os seus companheiros Frederico Figueiredo e António Carvalho, num cenário de sonho para a Glassdrive-Q8-Anicolor.

Quando concluiu os 18,6 quilómetros do seu exercício individual contra o cronómetro, com um tempo impressionante de 25.07 minutos, ‘Mauri’ já sabia, pelas referências nos pontos intermédios, que a vitória era sua, e chorou, tal como aconteceu no ano passado, mas desta vez de felicidade.

As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto quando abraçou o pai, o antigo ciclista Federico Moreira, no momento em que ‘Fred’ cruzava a meta com a amarela no corpo, mas já destronado, ainda que tenha feito o contrarrelógio da sua vida – foi sétimo, a 01.16 minutos, e, como esperado, sagrou-se vice-campeão, a 01.09 do vencedor.

PUB – CONTINUE A LER A SEGUIR



“Não tenho palavras para descrever o que estou a sentir neste momento. Ainda não caí na realidade. Quando acordar deste sonho, é que vou perceber”, disse aos jornalistas ainda na zona de entrevistas rápidas, antes de avisar que ia “chorar de novo”.

A viver “o momento mais feliz” da carreira, o uruguaio de 27 voltou a emocionar-se ao falar dos problemas que enfrentou este ano – covid-19 e uma lesão no joelho direito, que o importunou nos últimos dias e que hoje era bem visível na fita colada na perna -, mas também do “senhor” ‘Fred’, por quem perguntou mal conseguiu descobrir (e abraçar) a mãe e a namorada entre a multidão.

“Claro que para mim era um sonho ganhar a Volta, claro que queria, mas dentro desse sonho não estava disputar o triunfo e o contrarrelógio com um colega de equipa. Não é algo de que tenha gostado. Só posso dizer que o Fred é um senhor, com todas as palavras e maiúsculas, porque ontem [domingo] se ele quisesse, se calhar, podia ter assegurado a vitória na Volta e não fez isso. Respeitou-me. Sendo eu um estrangeiro numa equipa local, que um colega faça isso é muito”, realçou.

A jornada da Glassdrive-Q8-Anicolor, que venceu ainda as classificações por equipas e a da montanha, com Figueiredo, foi ainda mais perfeita porque António Carvalho garantiu o último lugar do pódio, ao ser segundo no ‘crono’, a 21 segundos de ‘Mauri’

Para ficar, pela primeira vez, entre os três primeiros da prova ‘rainha’ do calendário nacional ‘Toni’, terceiro da geral a 02.35, negou o sonho a Luís Fernandes (Rádio Popular-Paredes-Boavista), que foi apenas 21.º no contrarrelógio, a 01.59 do vencedor, e acabou relegado para a quarta posição, a 03.44 de Moreira.

Na despedida da ‘sua’ prova, o galego Alejandro Marque (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) estampou a bandeira portuguesa no seu capacete – assim como o nome de todas as equipas por onde passou no pelotão nacional – e foi terceiro na 10.ª e última etapa da 83.ª edição, a 01.05 minutos do primeiro.

‘Alex’, de 40 anos, disse adeus à Volta, que venceu em 2013, na quinta posição da geral, a 05.17, sob os aplausos do público que o ‘adotou’ e um enorme sorriso no rosto.

As decisões da geral deixaram para segundo plano um contrarrelógio que foi ‘desenhado’ à medida da W52-FC Porto, mas que, com os ‘dragões’ ausentes, tornaram a passagem no Estádio do Dragão ou na Alameda das Antas um mero pró-forma, com a multidão a concentrar-se na outra margem do rio Douro, ao contrário do que aconteceu em 2019, quando João Rodrigues conquistou a amarela final.

A direção do ‘crono’ inverteu-se e, desta vez, os 105 ciclistas que chegaram ao final da 83.ª edição saíram do Porto em direção à marginal de Gaia, para um percurso bastante técnico e até perigoso, com direito a empedrado, curvas em ‘cotovelo’, faixas estreitas com repentinas mudanças de direção e descidas pronunciadas.

Nem um especialista como Rafael Reis poderia sair ‘ileso’ de um traçado tão sinuoso (e do desgaste do trabalho para os seus líderes), com o campeão nacional, que cumpriu o ‘crono’ em 26.22 minutos, a ser primeiramente batido pelo espanhol Asier Etxebarria (Euskaltel-Euskadi), e a acabar num ‘modesto’ sexto lugar, a 01.15 do seu colega uruguaio.

Foi mesmo a formação espanhola a surpresa da jornada, por colocar dois homens no ‘top 5’ da etapa: Txomin Juaristi foi quarto e Etxebarria quinto.

Estava concluída uma edição estranha, em que o ‘elefante na sala’ W52-FC Porto pairou como uma ‘nuvem’ na caravana e em que o domínio ‘egoísta’ da Glassdrive-Q8-Anicolor – só o norte-americano Scott McGill (Wildlife Generation) e o espanhol Jokin Murguialday (Caja Rural), respetivamente vencedores dos pontos e da juventude, destoaram – motivou um descontentamento (e até um desânimo) entre as restantes equipas nacionais.

Sem comentários

deixar um comentário