06 Dezembro 2022, 15:20

“Vou sair pela porta grande” – Manuel Azevedo

Filipa Júlio Administrator

Entrevista a:

Manuel Azevedo
Presidente da União de Freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma

À entrada para o último mandato enquanto presidente da União de Freguesias Sandim, Olival, Lever e Crestuma (SOLC), Manuel Azevedo apresenta o sentimento de missão cumprida. Em entrevista ao Mundo Atual, diz que vai “sair pela porta grande” e que haverá motivos para ser acusado “de beneficiar mais uma freguesia do que outra”.

Nunca defendeu a agregação das freguesias, que passou a liderar depois de presidir à Junta de Olival, mas quando assumiu tentou “distribuir os investimentos” de forma equilibrada por cada uma delas.

Hoje, tem a certeza de que “todas saíram beneficiadas”. A título de exemplo, recorda que “Sandim, Lever e Crestuma não tinham acesso a transporte para a piscina, tasquinhas de verão ou os serviços da junta disponíveis ao sábado de manhã”, tudo ideias transpostas de Olival.

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“Acredito que tenho conseguido fazer uma gestão muito semelhante em todas as freguesias, mesmo que as obras tenham visibilidades diferentes. E são tantas, tantas as obras, que é até difícil decorá-las todas”, sublinha, com um sorriso e olhar orgulhosos estampados no rosto.

Não por acaso, recebeu o Mundo Atual na Junta de Freguesia de Sandim, no salão preparado para as Assembleias de Freguesia e outras reuniões relevantes. Trata-se de uma das suas primeiras obras.

“Parecia um armazém, mas, hoje, tem esta dignidade”, frisa, para dar início a uma pormenorizada descrição do trabalho desenvolvido ao longo de quase nove anos de SOLC.

Sandim já conta com Casa Mortuária

Permanecemos em Sandim, onde “o campo da bola, do Dragões Sandinenses, foi e continua a ser intervencionado” e o “futuro pavilhão do Modicus”, em fase de projeto, está cada vez mais próximo de ser concretizado.
A casa mortuária, inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente da Câmara Eduardo Vítor Rodrigues, é uma das meninas dos olhos de Manuel Azevedo. Na sua opinião, é um espaço fulcral em todas as freguesias, no qual “as pessoas podem despedir-se, com dignidade, dos seus entes queridos”, independentemente da religião que pratiquem.
Em todas as freguesias, o autarca destaca também “grandes intervenções” ao nível do saneamento e das ruas, mas com especial destaque para a Rainha Santa, a via entre Camalhões e Gondesende, que liga Gaia à Vila da Feira.
“Estava parada, pois nunca houve entendimento entre os concelhos, embora fossem das mesmas cores partidárias. E quem sofria eram as pessoas. Finalmente, avançamos com a obra, através da parceria entre câmaras”, frisou.

Lever com uma rua central renovada

Lever viu a sua rua central renovada e o avançar dos trabalhos no troço de ligação à fronteira com Vila da Feira. O futebol do Leverense começou por ter “balneários renovados e asseados, um tapete de relva e novas e requalificadas bancadas, esperando apenas “uma solução ao nível do saneamento”.
“A banda da música terá uma nova sede, que vai também servir o Centro de Dia, e o Auditório, em fase adiantada de execução, no valor total de 1 milhão e meio de euros, estará disponível para todas as coletividades. Enche-me de alegria”, descreve.
“Legalizar o abandonado Bairro da EDP é um sonho concretizado” e já entregue à IPSS de Lever, que ali poderá agora construir um lar, em parceria com a Câmara de Gaia.
A requalificação da igreja velha, com sanitários adequados, conclusão dos arranjos na capela mortuária, alargamento do cemitério ou o parque fluvial são outros investimentos considerados relevantes pelo presidente.

© Amândia Queirós | Mundo Atual

Em Crestuma, deu dignidade ao Centro de Dia

A única escola existente em Crestuma, a Urbano Santos Moura, foi totalmente remodelada, uma obra que custou cerca de 700 mil euros, o pavilhão foi requalificado e a sede da Banda de Música construída.
O Centro de Dia que encontrou “a funcionar dentro da cripta da igreja, onde chovia, foi transferido para uma escola desativada”, sujeita a obras de adaptação: “Ficaram com outra dignidade e eu gosto muito de lá ir”, refere Manuel Azevedo.
São “pequenas obras que enchem de orgulho” o autarca, que de imediato avança para “a entrada principal de Crestuma, cuja rua do Fioso recebeu novas infraestruturas”.
A construção do “prometido” Estádio já se encontra no terreno, e a demora na sua execução ficou apenas a dever-se, no seu entendimento, ao atraso em processos de legalização da responsabilidade do clube.

No Olival, o sonho chama-se «pavilhão»

Em Olival, o maior investimento foi nas ruas, pois, admite, “estava muito mal” nesse particular.
“Uma rua que me deu muito prazer fazer foi a Domingos Monteiro. Há 12 anos, abri e paguei essa rua, com o exército de Espinho, mas ficou em terra, pois a outra câmara “cismou, castigou-me e nunca me ajudou. Felizmente, há oito anos, foi uma das primeiras obras que fiz em Olival, após 2013”.
Mas a cereja no topo do bolo será, para Manuel Azevedo, o Pavilhão da Escola Diogo Macedo: “Consegui esse objetivo e impus que fosse utilizado durante o dia para a escola e à noite pelas coletividades. Lançou-se a obra, mas o empreiteiro abandonou e foi necessário voltar a lançar concursos. Com tudo isso, vai acabar o meu mandato. Não o vou inaugurar, mas se vir que é construído, é o mais importante”, conclui.

“Sou muito humilde e gosto de ir às minhas coletividades”

Manuel Azevedo é natural de São Miguel, em Olival, onde nasceu, cresceu e vive, até hoje.
O seu percurso académico e profissional é semelhante a muitos outros homens da sua geração, que concluída a quarta classe, logo foram obrigados a trabalhar para ajudar ao sustento da casa. Tinha 12 anos, quando começou a aprender com os mais velhos, primeiro como trolha e, depois, como serralheiro. Com 16 anos, porém, tornou-se carpinteiro e aos 20 assumia a função de encarregado numa “grande carpintaria” da região.
“Tinha 20 pessoas a meu encargo e, às vezes, até me custava, porque eram pessoas muito mais velhas do que eu, com idades para serem meus avós”, conta. Casou, teve o filho e foi para a tropa sete meses, uma vez que a lei do Amparo de Pai fez com que não fosse para Angola. Estabeleceu a sua própria carpintaria, abraçando, mais tarde, toda a área da construção civil. A entrada na política aconteceu por insistência e, depois de algum tempo na Oposição, tomou posse da União de Freguesias no dia em que fez 60 anos.
“Só pensava em trabalhar, nunca pensei na política. Um dia convidaram-me para liderar uma lista, mas fui sempre desviando, porque achava que ainda era novo e tinha muito para trabalhar ainda. Disse para levarem o meu filho [Patrocínio Azevedo, atual vice-presidente da Câmara)! Tanto insistiram que acabei por ceder”, confidencia ao Mundo Atual. Acredita que o voto de confiança dado pelas pessoas assenta no facto de “ir sempre, para o bem e para o mal, onde é convidado” e ter a “humildade de pedir desculpa”, quando comete um erro. Os segredos para conduzir, ao longo destes nove anos, quatro freguesias tão diferentes e com bairrismos acentuados, são, na sua opinião, simples: “Sou muito humilde. Nunca fui vaidoso e tenho o hábito de dizer que gosto de ir a todas as coletividades, com as quais tenho uma boa ligação. Tenho conseguido manter as tradições de cada terra e isso é importante. Claro que as pessoas de cada freguesia queixam-se sempre que faço mais numa do que noutra, mas tento fazer tudo por igual”.

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