24 Janeiro 2022, 11:20

Wall Street acaba em baixa primeira semana do ano

LUSA Autor
Agência de notícias de Portugal

Nova Iorque, 07 jan 2022 (Lusa) — A bolsa nova-iorquina acabou hoje a primeira semana do ano em baixa, com o índice tecnológico Nasdaq a recuar pela quarta sessão consecutiva, no seguimento de um relatório sobre o emprego considerado dececionante pelos investidores.


Os resultados definitivos da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average quase não variou, com um recuo de 0,01%, mas o alargado S&P500 perdeu 0,41%, para os 4.677,03 pontos, e o Nasdaq 0,96%, para os 14.935,90.


Hoje soube-se que em dezembro apenas tinham sido criados 199 mil empregos nos Estados Unidos, menos de metade dos 440 mil esperados pelos economistas.


“As ações terminaram uma sessão mitigada, com os principais índices a apresentarem perdas na primeira semana de 2022”, apontaram os analistas da Schwab. As perdas semanais do Nasdaq foram de 4%, as do S&P50 superiores a 1,60% e as do Dow Jones ligeiramente negativas.


“A possibilidade de a Fed (Reserva Federal, o banco central dos EUA) acelerar na via do endurecimento monetário (subir juros) foi o principal catalisador da fraqueza das ações”, realçaram os analistas, aludindo à publicação na quarta-feira da ata de uma reunião do comité de política monetária da Fed, que tiveram impacto no mercado.


Os membros do FMOC (sigla em inglês do comité) demonstraram uma posição firme contra a inflação.


E hoje, “um outro relatório mitigado sobre o emprego agravou a preocupação, porque o crescimento do emprego em dezembro falhou em muito as previsões, apesar de a taxa de desemprego ter descido muito mais do que previsto”, acrescentaram.


A taxa de desemprego recuou para 3,9%, o mínimo desde há dois anos, segundo um inquérito do Departamento do Trabalho, que se baseia nas famílias, ao passo que o relativo às criações de emprego se baseia nas empresas.


Os números preocuparam os investidores tanto mais quanto ainda não consideram o impacto da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2.


A informação foi reunida antes de a nova variante se ter espalhado pelo país e forçado o regresso ao teletrabalho, a anulação de milhares de voos e o encerramento de escolas em diversos condados.


Em todo o caso, para muitos investidores, sublinhou Patrick O’Hare, da Briefing.com, a debilidade na criação de empregos não deve levar a Fed a mudar de opinião, quando se prepara para subir a taxa de juro de referência dentro de três meses.


A subida dos salários em dezembro, bem recebida pelos trabalhadores, também enervou os investidores, que viram aí um novo sinal de inflação.


O salário horário aumentou 0,6% em dezembro, acima do esperado, o que levou a subida média nos últimos 12 meses para 4,7%, o que a mantém, contudo, abaixo da relativa ao crescimento dos preços.


Na quarta-feira, os investidores vão estar atentos ao índice de preços no consumidor.


Perante estas tensões, os rendimentos dos títulos do Tesouro a 10 anos subiram nitidamente durante o dia para 1,78%, no mais alto de dois anos, baixando depois do fecho bolsista para 1,76%.


Grandes nomes da tecnologia sofreram com a ata da Fed, como a Tesla, que baixou 3,54%, e a Netflix, que perdeu 2,21%.


Ao contrário, os títulos da banca receberam bem as notícias, por a subida dos juros propiciar um ambiente mais rentável ara os bancos. Assim, o Bank of America avançou 2,18%, o Wells Fargo 2,13% e o Citigroup 1,34%.



RN // JMR


Lusa/fim

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